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O estilo novo da cabeça de porco

Atualizado: 21 de Jun de 2019


James Wallis fundou a Hogshead Publishing em 1994. Seria a sua forma de lançar Bugtown, um RPG revolucionário que não usava dados nem números, que ele tentava lançar desde 1989 sem sucesso. Esse jogo nunca foi lançado. Wallis revolucionou o RPG do mesmo jeito.


Uma cidade de insetos


Wallis se envolveu com RPG com fanzines e logo se tornou um pupilo de Erick Wujcik (Teenage Mutant Ninja Turles & Other Weirdness, Amber Diceless). Com os contatos de Wujcik, ele começou a trabalhar com a editora Palladium, produzindo suplementos tradicionais.


O projeto pessoal de Wallis, porém, era publicar um RPG baseado nos quadrinhos do cartunista Matt Howarth. Wallis tinha um acordo verbal com Howarth para desenvolver o jogo e um ideal de design muito claro: um RPG sem números e sem dados. Os testes desse jogo, Bugtown, foram muito bem recebidos. O problema era conseguir publicá-lo.


Wujcik se ofereceu para ajudar o pupilo através da sua editora, Phage Press. Porém, anos se passaram e o projeto não andava. Wallis culpou o perfeccionismo de Wujcik, chamando-o de controlador. O jogo simplesmente nunca estava bom o bastante. Sempre havia alguma coisa a mudar.


Em dois anos de trabalho, eu não escrevi uma única palavra do manuscrito para lançamento de Bugtown de fato. Eu escrevi e reescrevi e reescrevi documentos de playtest e regras, e descrições de conteúdo para o livro, e Erick os mandava de volta e dizia que não estava certo — nada estava certo nunca. - James Wallis

Wallis desistiu de trabalhar com a Phage Press e manteria mágoa de Wujcik até depois da morte do mentor. Porem, o autor havia escrito um jogo de cartas chamado Once Upon a Time para a Atlas Games e tinha contato com Jonathan Tweet, que na época era o manda-chuva de RPG da Wizards of the Coast. Tudo estava certo para Bugtown finalmente ser lançado depois de 5 anos de trabalho árduo. Até que o cartunista Howarth não conseguiu chegar a um acordo com a Wizards of the Coast sobre royalties de camisetas (!).


Those Annoying Post Bros.

Se Wallis queria ver Bugtown publicado, ele teria que fazer tudo sozinho. E foi o que ele decidiu fazer.

Erick está morto. O que pelo menos significa que ele parou de me encher o saco pra adicioná-lo como amigo no Facebook. - James Wallis

Cabeça de porco


Wallis fundou sua empresa, Hogshead Publishing, para publicar Bugtown. Para chegar a esse ponto, porém, ele precisava de dinheiro. Sabendo que a Games Workshop queria licenciar um RPG de Warhammer, ele entrou de cabeça na oportunidade. Parecia um plano de negócios adequado — ganhar dinheiro com Warhammer Fantasy Roleplay, publicar Bugtown.


Warhammer Fantasy Roleplay

Não deu muito certo. Problemas de caixa, com a Games Workshop e com um distribuidor na Europa quase fecharam a empresa. Wallis teve que demitir todos os funcionários, incluindo a si mesmo. Ele trabalhou de graça por nove meses até empresa sair do buraco.

Infelizmente, a essa altura do campeonato, Bugtown não podia mais ser publicado — pelo menos não por Wallis. O cartunista Matt Howarth preferia que Erik Wujcik e a Phage Press publicassem o jogo. Wujcik nunca publicou Bugtown. Diante dessa situação, Wallis destruiu todas as anotações que tinha sobre o jogo. Bugtown estava oficialmente morto.

Mas Wallis estava prestes a finalmente revolucionar o RPG com suas ideias.


Estilo novo


Em 1998, James Wallis lançou um jogo chamado The Extraordinary Adventures of Baron Munchausen. Nesse jogo, ele propunha um “novo estilo” de RPG.

Não é new school, é new style

Cada jogador improvisa uma história baseada num assunto sugerido, lidando com interrupções e adendos de demais jogadores. Isso pode parecer familiar hoje em dia, já que temos vários jogos baseados na mesma premissa, como Fiasco e Violentina. Isso começou em 1998, com o “novo estilo” da Hogshead.

Munchausen não foi o único lançamento da linha. Wallis começou a convidar outros jogos com ideias similares para se encaixar no seu modelo. Os livros eram, em sua maioria, curtos — variando entre 24 e 32 páginas. As fileiras do novo estilo logo foram engrossadas por Violence, de GregCostikyan, que é mais um ensaio político que um jogo e não foi muito bem recebido; Puppetland, de John Taylor, que se afasta da temática do novo estilo e se aproxima do narrativismo de Ron Edwards; Pantheon and other roleplaying games, de Robin Laws, uma coletânea de jogos no novo estilo e finalmente De Profundis, que incluía regras de correspondência para jogar através de cartas. Nobilis, um RPG mais tradicional mas que não usava dados, foi lançado pela Hogshead mas não é parte da linha novo estilo.

Mas tem aquela coisa: o autor de Fiasco não disse que ele não é um RPG?


Story games

Uma galera fica toda eriçada sobre a definição do que é ou não é um RPG. Nós chamamos os cinco jogos nesse livro de RPGs para irritar essas pessoas. Se você encontrar alguém ficando puto sobre isso na internet, por favor zoe-o por nós.  — Robin Laws, Pantheon and Other Roleplaying Games (2000)

Quando Munchausen foi lançado, ele foi indicado para o prêmio Origins de Melhor RPG. Ele não ganhou, talvez pela discussão sobre ele ser de fato um RPG ou não. Se o RPG é definido como assumir um papel, esperava-se que o foco fosse nesse papel, no personagem. Não é o caso de Munchausen — embora os jogadores tecnicamente assumam o papel de personagens, o que importa é a história que eles contam.

Desde então, muito se conversou sobre o novo estilo e sobre story games. Alguns afirmam que nem se trata mais de jogos! Isso levou parte da comunidade a cunhar o termo “story games”, abraçado principalmente pelo criador de Fiasco, Jason Morningstar.


Seja chamando de new style ou de story game, a verdade é que James Wallis revolucionou o RPG. Só não foi do jeito que ele esperava.


Saiba mais


  • Para um post do próprio Wallis sobre Bugtown (em inglês), clique aqui.

  • Para uma comunidade construída em torno de story games (em inglês), clique aqui.

  • Para uma discussão sobre Fiasco ser ou não um RPG (em inglês), clique aqui.

  • Para comprar o story game brasileiro Violentina (ou adquirir o livro digital gratuitamente), clique aqui.

  • Para comprar Fiasco em português, clique aqui.