Arquétipos para seu RPG de Mesa — O Traidor


Como usar um personagem não jogador ( ou um dos personagens dos jogadores) como traidor e melhorar sua aventura de RPG de mesa.


Algumas das melhores histórias sempre tem esse personagem. Aquele que às vezes é o principal criador da trama. Ou , às vezes, que muda a trama no meio da história, ou no final dela.

Angus em Coração Valente

Não se sabe se pela índole dele, ou por estar se vingando. Pode ser que ele tenha sido chantageado, ou foi coagido. Existem infinitas razões e meios de se explicar, mas só uma verdade sobre o assunto: traidores sempre apimentam qualquer história.


Se você pensar bem sobre o assunto, alguns dos melhores personagens começaram como traidores. Lancelot trai Arthur quando dorme com Guinnevere (na maioria das versões, pelo menos). Saruman dificulta demais a vida de Gandalf quando resolve se aliar ao Sauron. E pra quem lembra do filme “S.W.A.T. — Comando Especial” que o melhor amigo do protagonista Street (Collin Farrell), o impiedoso Gamble (Jeremy Renner), deixa as coisas muito mais interessantes na trama do filme.


Enfim , o ponto que eu queria chegar era de que, sim, eles são muito divertidos e garantem 100% mais profundidade e emoção à sua história.


Em uma mesa de RPG, o mestre pode optar por colocar um personagem como esses de 2 maneiras bem interessantes:

SWAT o filme
NPC: Colocar um NPC traidor é a maneira mais fácil de se explicar porque os vilões conhecem os passos dos PCs, porque eles sempre estão um passo a frente, e até mesmo salvar o seu vilão se tudo der errado na hora ‘H’. Sim, seus jogadores vão ficar surpresos, quando aquele ‘arqueiro misterioso’ q andava com o grupo, na hora em que o paladino iria desferir o golpe mortal no mago das trevas, atira uma flecha nas costas do guerreiro sagrado, foge, e distrai o grupo para que o vilão fuja.
PC: Esse é bem mais complicado. Ter na mesa, um jogador que pretende ou está destinado a trair o grupo, é uma tarefa árdua, mas se for feita de maneira correta, pode valer muito a pena. É trabalhoso e complicado, porque os outros jogadores podem desconfiar. Em campanhas de Underworld é algo bem comum e mais fácil, umas vez que moral e ética são mais subjetivas, e outros aspectos do jogo, como maldade, magia e sobrenatural são coisas mais sutis do que em campanhas de D&D ou Pathfinder. Uma das coisas mais usadas para se esconder a verdadeira identidade do PC traidor é a boa e velha ficha falsa.

Esse artifício consiste do mestre ter com ele, junto com as fichas de outros vilões e NPCs, a versão ‘real’ da ficha do jogador. De preferência com um codinome discreto que não leve os jogadores a corresponderem aquela ficha ao personagem traidor (porque sempre tem um jogador que adora olhar por cima do escudo do mestre pra bisbilhotar. Acredite, eu fazia isso. Hehehehe.)


Não discutir coisas do jogo com o jogador traidor na sessão do jogo, preparar tudo antes, em um encontro separado dos outros jogadores, e deixar combinado alguns sinais, caso necessário (tipo igual no truco).


Os Infiltrados

É tudo meio complicado e trabalhoso de se fazer se você quiser que a surpresa seja garantida, mas a cara dos seus jogadores vai ser IMPAGÁVEL quando eles souberem que um deles, que esteve sentado o tempo inteiro ali do lado, na verdade é um agente do mal, ou até mesmo o próprio mal encarnado.


Sendo um ou outro, lembre-se sempre de deixá-lo munido de itens e habilidades para esconder sua verdadeira identidade e, caso necessário, fugir! Amuletos de esconder alinhamento, identidades falsas, rituais de esconder a verdadeira identidade, poções, máscaras, kits de disfarce. O kit do bom espião é necessário sempre.


E claro, o mais importante de tudo em qualquer dos casos: o objetivo do traidor. Sempre tenha um bom motivo pelo qual ele está traindo o grupo, sendo o NPC ou o PC.


Ou quem sabe até, mudar o objetivo no final. Já vi um assassino de paladino se infiltrar no grupo para matar o guerreiro e acabar se convertendo e salvando o mundo. As possibilidades são infinitas! Afinal, quem não se lembra de Severus Snape (Alan Rickman) do Harry Potter?

Severus Snape em Harry Potter

Alguns jogadores podem se revoltar, chorar, ameaçar ir embora com a garrafa de refrigerante dele e todos os salgadinhos, mas traidores existem em todos os lugares, e eles tem que entender isso.


O importante sempre é lembrar de não usá-los para podar e estragar os planos dos seus jogadores, e sim pra divertir, inovar e surpreender ( que é sempre o objetivo principal de um mestre de RPG.)

Autor do Texto Original: Jordan Scarcella

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