Stormtalons: Muito Mais Que Um Nome

Stormtalons: Muito Mais Que Um Nome

Que negócio é esse de “Stormtalons” de que tanto falam?

“Stormtalons” é, ao mesmo tempo, o nome do cenário – na sua tradução “Garras da Tempestade” – e um fator onipresente do mundo, independentemente de onde você viva ou o que esteja fazendo no cenário. As Garras da Tempestade são brumas – brumas oscilantes e turvas que cobrem a maior parte do reino. As pessoas residem em bolsões relativamente estáveis dessas brumas. Alguns desses bolsões são enormes, atravessando milhares de quilômetros. O “mundo conhecido” de Asmer é um desses bolsões. Outros bolsões não passam de poucos metros.

Mas elas são meras brumas, não é? O pior que podem fazer é deixar você mais úmido, não?

Meras brumas? Não. Ninguém, nem os deuses, nem os Dragões podem controlá-las, muito menos explicá-las. Elas são algo próprio, que segue regras incompreensíveis. Inúmeras pessoas passaram milhares de anos tentando desvendar as mecânicas do seu funcionamento.

O que descobriram é que ninguém consegue saber como elas funcionam de fato.

As brumas estão sempre em movimento, são mutagênicas e neutralizantes de magia. Nesses bolsões supracitados existem civilizações inteiras que não tiveram contato com ninguém “de fora” há milênios, uma pletora de seres grotescos e mágicas esporádicas.

Os elfos que habitam as Garras da Tempestade são capazes de comércio relativamente normal (normal no sentido de algumas caravanas gigantescas por ano quando as “leituras” estão alinhadas) graças à sua afinidade inata com as Garras da Tempestade. Andarilhos das Brumas conseguem muito dinheiro guiando navios pelo Aeradaunt e caravanas por terra, mas basta um erro e tudo e todos estarão perdidos. Desnecessário dizer que não existem muitos Andarilhos das Brumas em Asmer. Na longínqua Jayasudhera, existem Navegadores especiais que conseguem usar runas ancestrais posicionadas no fundo do mar para guiar em segurança os navios através das “terras conhecidas” de Asmer, mas esses indivíduos são um segredo raro e guardados a sete chaves.

Existe um bom motivo para o velho ditado Talonurreno: “Apenas os desesperados ou insanos ousam atravessar as brumas. ”

Tudo isso faz com que as Garras da Tempestade sejam o principal fator na política, economia e até mesmo o dia-a-dia dos Asmerianos. Sempre que uma nova área vasta nas fronteiras das brumas se abre, há um surto gigantesco de exploradores, aventureiros e reivindicadores tentando agarrar o que puderem caso as brumas se fechem novamente. Existem métodos de afastar e impedir que as brumas retomem a terra, mas eles são custosos, e não só no sentido monetário.

A teocracia de Rheligor, liderada pelos Sacerdotes dos Seis, devotam recursos infindáveis para seus misteriosos “Templos do Sangue”, as únicas coisas conhecidas pela humanidade capazes de impedir o avanço das brumas e, dizem, até afastá-las para abrir espaço para uma nova colonização. A maior parte de Asmer crê que os Templos do Sangue são apenas um mito, mas são bem reais. E os sacerdotes escondem esses segredos, e perseguem fanaticamente qualquer um ou qualquer coisa que achem que possa servir para aperfeiçoá-los. Com ainda mais vontade até mesmo que o Heirophar, os sacerdotes estão atrás de elfos, e aqueles que possam conhecer quaisquer detalhes das Garras da Tempestade, levando-os para experiências desconhecidas e interrogatório.

Certos artefatos, destruídos de formas espetaculares e perigosas, também podem criar bolsões livres das brumas. Ninguém foi capaz de entender o motivo, nem que tipo de artefato pode ser utilizado. Alguns funcionam e outros não. E se alguém que tente este método use um artefato que não funcione, essa pessoa só saberá disso até depois da destruição do artefato, de lidar com o perigo do ritual, e das brumas a envolverem.

Os elfos detêm o conhecimento para impedir o avanço das brumas sobre seus bolsões de civilização, mas o conhecimento está aos poucos se esvaindo ao longo das gerações, já que todo conhecimento comum se perde com o tempo. E não é um elfo sozinho que possui esta capacidade. Somente ao se combinar a energia espiritual de toda uma sociedade, entrelaçada através de rituais complexo e solidificada em pedras de proteção que precisam de constante manutenção, é que seus lares podem permanecer livres. Guardiões deste conhecimento tendem a formar ordem especiais, de natureza quase religiosa, mas essas ordens estão diminuindo cada vez mais. Mas o pior de tudo é que essa estabilidade de tantos anos provocou nas sociedades élficas um alto grau de orgulho cego, pois elas acreditam terem alcançado uma solução permanente para seus predicamentos atuais. É certo que eles irão aprender muito com seus erros, mas o custo disso será esmagador.

Mas todo esse conhecimento é apenas para impedir o avanço das brumas, ou afastá-las. As Garras da Tempestade não podem ser controladas nem direcionadas. Nem por elfos, sacerdotes ou Navegadores. A magia das Garras da Tempestade existe, poderosos Feitiços Lendários que levam a maioria daqueles que os estudam à morte, loucura ou aprisionamento pelo Heirophar. Sendo a forma de magia mais absolutamente instável, a

magia das Garras da Tempestade é evitada pelos detentores mais sãos do Dom da Magia. E se aprender feitiços não matar o matar ou pior, o Custo já será perigo o suficiente. E essa magia, Feitiços Lendários ou não, não permite ser controlada, apenas utilizada – da mesma forma que um tirano poderia usar carnívoros famintos para punir alguém.

O toque das brumas nem sempre altera e transforma, mas isso acontece com frequência suficiente para ser considerado comum. Essas transformações são raramente sutis. Corpos são distorcidos e retorcidos até que mal se pareçam com o que já foram um dia, e poderes terríveis também podem surgir. Mas a maior ameaça não é para o corpo em si, e sim para a mente. São pouquíssimos os Andarilhos das Brumas capazes de reter seu senso de identidade, ou sua sanidade.

Em constante movimento, as brumas podem aquiescer por centenas de anos, ficando fora de certas áreas ou sem preenchê-las por completo. Sem aviso, isso pode mudar de um dia para outro. Uma fazenda tranquila pode ser vítima do avanço repentino das Garras da Tempestade, com seus donos descobrindo de repente que as brumas estão na soleira da porta. Por outro lado, áreas submersas nas brumas por gerações podem ficar limpas, do nada, e permanecerem assim, por outras tantas gerações. Se realmente existe um ritmo natural para seu ir e vir, ninguém ainda foi capaz de entende-lo. Terras tão cobertas pelas brumas por tanto tempo são ricas e férteis, e frequentemente contêm vastos depósitos de minérios e minerais. Isso as torna absurdamente valiosas para desesperados que buscam a expansão e a exploração. Até o risco de inundação é pouco para impedir que muitos reivindiquem ansiosamente uma área recém descoberta.

Como se pode ver, as Garras da Tempestade moldaram o mundo de Asmer ainda mais do que o surgimento e queda de impérios, épocas de abundância e fome, ou a descoberta e invenção de novos e maravilhosos dispositivos o fizeram. Mais constantes até mesmo do que os deuses, mais presentes até mesmo do que os Dragões Adormecidos, as Garras da Tempestade são o verdadeiro poder dos bastidores do cenário de Stormtalons. Aparentemente eternas e imutáveis, as brumas ditam os destinos, direta ou indiretamente, de cada coisa viva em Asmer.

Tenham medo. De verdade. As brumas estão chegando.


Publicado originalmente em Onder Librum

Escrito por C.A. Jarret, Autora e Lore Guardian de Stormtalons

Traduzido por Leandro L.C. E Rodrigues e Stephan Martins

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Thiago Rosa Shinken é escritor e tradutor freelancer de RPG, já tendo trabalhado várias editoras no Brasil e nos EUA. Ele joga RPG desde os 9 anos, é fã de punk rock, nunca dispensa uma cerveja de trigo e torce pelo Fluminense.

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3 Comments

  1. Salazar
    dezembro 06, 12:13 Reply
    MEUS DEUSES DOS SEIS!!!!!!!!!!!!!!! Cadê o RPG DISSO?!?!? QUEM tá pilotando essa nave?!?!? Oh, wait...
  2. Caio
    dezembro 06, 12:36 Reply
    Eu tenho desenvolvido um cenário com esboços e tudo mais ao longo dos anos, mas ler isso me fez ver que preciso voltar para o planejamento, esse diferencial que tem em Stormtalons é o que atrai em um cenário de RPG. Não é era de se esperar menos do mago dos magos.
    • Salazar
      dezembro 06, 12:49 Reply
      A gente está sofrendo com os livros, porque eles acabam parecendo pequenos e a gente se empolga querendo mais e ainda estão escrevendo, dá desespero hehehe

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