Skullkickers

Skullkickers

Um grandalhão, um anão, anacronismo, ação e humor são os ingredientes da afetuosa desconstrução da fantasia medieval Skullkickers, quadrinho de Jim Zub publicado pela Image Comics. Antes de chegarem a uma série própria, nossos heróis apareceram na antologia Popgun v3, que ganhou o prêmio Eisner. Zub denonima seu estilo sword and sassery (‘espada e insolência’, numa tradução livre) numa corruptela do sword and sorcery de Conan e cia.

Zub deixa claro que sua maior influência é Dungeons & Dragons, que ele atualmente mestra. Durante a infância, ele era aquele típico jogador que faz as coisas mais estranhas nas situações mais desesperadoras, às vezes obtendo sucesso mas sempre causando gargalhadas. Se durante suas sessões de D&D Zub encarava como um dever fazer seu DM cair na gargalhada, agora ele revive esse dever fazendo seus leitores gargalharem com as aventuras de dois aventureiros, um humano careca com uma pistola e um anão com dois machados. Os dois têm poucos escrúpulos e ainda menos cérebro, passando pelas situações mais corriqueiras da fantasia medieval de forma completamente inusitada, com direito a  referências diretas a D&D (em uma das edições, Zub até incluiu a ficha dos dois protagonistas como monstros para D&D 4e).

Não posso te contar quem é a elfa ainda

Zub já deu dicas importantes sobre a realidade do mercado de publicação independente nos EUA. Cortando em miúdos, Skullkickers não está deixando ele rico, mas é extremamente divertido e uma coisa que ele sempre quis fazer. Na trilha de Skullkickers, Zub se tornou o roteirista mais proeminente da fantasia medieval em quadrinhos, trabalhando em D&D: Legends of Baldur’s Gate, as doze primeiras edições de Pathfinder Conan-Red Sonja (co-autoria com Gail Simone). Fora da fantasia medieval, ele tem Wayward (uma das melhores séries em quadrinhos do momento), Samurai Jack e Figment. Ele também é um cara muito legal e acessível, que interage com os fãs no twitter.
Esse "squeee" que você está ouvindo é o som de um Shinken sendo mencionado no twitter por Jim Zub e Gail Simone

Esse “squeee” que você está ouvindo é o som de um Shinken sendo mencionado no twitter por Jim Zub e Gail Simone

O sucesso de Zub pode ser atribuído em parte ao entendimento profundo que ele tem dos quadrinhos como mídia. Por exemplo, o primeiro arco de histórias em Skullkickers foi feito para ser auto-contido, apesar de ter ganchos para uma série mais longa. Entre cada arco de história, uma edição com histórias curtas (e hilárias!) é incluída dando espaço para artistas convidados e uma merecida folga para a equipe titular; rolou até um concurso para ter uma história nessas coletâneas (na edição 18). Isso encaixa perfeitamente no fenômeno dos encadernados, que é ainda mais importante para quadrinhos autorais.

Apesar de todas essas características técnicas positivas, o ponto forte de Skullkickers reside na combinação de simplicidade e carisma. Nossos protagonistas começam a história sem nem mesmo ter nomes, mas é muito fácil gostar deles da mesma forma. A violência é tão exagerada que chega a ser cômica, especialmente com os efeitos sonoros inusitados. Mesmo sendo uma paródia, Skullkickers se leva a sério na medida certa, contando com uma narrativa sólida que se aproveita até mesmo de ganchos levantados por piadas, brincando com as expectativas da audiência de forma inteligente e imprevisível. A caracterização é impecável, dando profundidade aos personagens sem removê-los da esfera cômica proporcionada pelo arquétipo murderhobo que eles representam (e desconstroem).

A paródia em Skullkickers não se restringe à fantasia medieval, abrangendo também questões da indústria de quadrinhos. Se você procurar bem, vai encontrar referências às cronologias confusas de Marvel/DC e metacomentário sobre quadrinhos independentes. A instância mais óbvia disso foi quanto a série teve edições de número 1 meses seguidos, com títulos cada vez mais absurdos culminando em Dark Skullkickers Dark #1. Foi tão bem feito que o acusaram de estar fazendo exatamente o que ele estava parodiando!

Skullkickers está disponível gratuitamente em formato de webcomic. Caso você prefira a mídia original encadernada, você pode adquiri-la em forma de árvore morta na Diamond e em forma digital no ComiXology.

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About author

Shinken
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Thiago Rosa Shinken é escritor e tradutor freelancer de RPG, já tendo trabalhado várias editoras no Brasil e nos EUA. Ele joga RPG desde os 9 anos, é fã de punk rock, nunca dispensa uma cerveja de trigo e torce pelo Fluminense.

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1 Comment

  1. Noah
    junho 18, 11:06 Reply
    Não tem versão br :/

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