Review: Psi*Run

Review: Psi*Run

Você acorda num lugar estranho, e sequer se lembra quem é você. Quem são estes desconhecidos ao seu lado? Mas você não tem tempo para responder estas perguntas… é melhor fugir logo daqui, pois estão atrás de você.

Prepare-se, pois este jogo está vindo para o Brasil.

Psi*Run é um RPG Indie lançado em 2012, escrito pela incrível Meguey Baker. É um jogo rápido, intenso, onde os jogadores assumem o papel de pessoas com poderes psíquicos mas com amnésia, despertando logo após um acidente. Ao longo do jogo existem perguntas que escondem informações sobre seu passado, memórias que você não conhecia. Antes de seguir para o jogo em si, vamos a um pouco de história sobre a produção, que é algo que sempre me encanta no rolê independente, o rolê rolista.

Como o jogo foi feito?

Provavelmente vocês já ouviram falar de Vincent Baker, autor de Apocalipse World, e marido de Meguey. Em 2005 ele publicou em seu blog um sistema de rolagem que chamou de Otherkind Dice, ou “outro tipo de dados”. Nessa mecânica você rola um dado D6 para ver se consegue ou não fazer o que pretende e então soma mais um dado para cada coisa que você pode estar arriscando com essa ação, como se machucar, deixar outra pessoa puta da vida, etc. Você rola e daí escolhe qual dado vai ser assignado para cada um dos riscos e o sucesso, ou seja, se você rolou 3D6 e tirou 6-1-1 você pode até conseguir um sucesso animal, mas muitas outras coisas irão acontecer. Tem certeza que vai colocar esse 6 no sucesso, ou seria melhor falhar essa e colocar o 6 no outro risco, aquele que não deixa o amigo fortão dele irritado?

Chris Moore era um autor casual que viu o post do Baker e teve essa idéia de usar a mecânica para escrever um jogo sobre superheróis. A primeira idéia do Psi*Run foi escrita em 2007 por Chris e Michael Lingner, e testada na área Indie da GenCon daquele ano. A Meguey jogou o jogo e adorou o resultado final, mas tinha várias sugestões para melhorar o sistema. Bom, o tempo passou, ela certamente teve mil idéias de como melhorar ainda mais o jogo, e então em 2010 resolveu ir atrás dos caras para saber se o jogo saía ou não. Os caras acharam animal o interesse dela e então liberaram para que ela escrevesse e publicasse da forma que desejasse. Em Janeiro de 2012 saía a versão final do jogo, um livretinho com imagens simples e sistema muito bem escrito, claro, e cheio de exemplos. Na capa, Meguey colocou três nomes: Baker, Moore e Ligner, os devidos créditos para todos os envolvidos.

Legal! Mas como joga?

A ficha é muito simples. Você escreve seu nome, escreve sua idade ‘aparente’ (já que você tem amnésia), como seu poder psíquico se manifesta (e o jogo te aconselha a não ser específico, para você se surpreender usando-o de novas formas), e então bola de 4 a 6 perguntas sobre evidências de memórias , ou o que você quer saber sobre seu personagem. “O que significa esta tatuagem?”, “Quem é essa pessoa me perseguindo?”, “Por que meu poder só funciona quando estou com medo?”, e por aí vai. Quando um jogador consegue responder todas as perguntas, ele lembra do seu passado e o jogo acaba. É, o jogo é rapidinho mesmo, para uma ou duas sessões.

O jogo começa naquela situação que descrevi. O Mestre fala como eles acordam, como foi o tal acidente, se eles estão em um laboratório, ou num container que escarrilhou de um trem (quando joguei começou assim). Eles não têm muito tempo para se conhecerem, pois estão vindo atrás deles e não estão com cara de muitos amigos. O Mestre utiliza post-its ou pedaços de papel para marcar os lugares aonde estão os jogadores e onde estão seus perseguidores, e se eles estão aproximando ou não. Se os jogadores avançam para um novo lugar, ele escreve o nome, coloca o papel na mesa, e move o marcador dos personagens.

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Sistema de Rolagens

Bom, expliquei mais ou menos como era o sistema que o Baker inventou, certo? Bom, agora vamos falar sobre como a Meguey elaborou o sistema. É simples montar a pilha de dados neste jogo, e a própria ficha já te ajuda a montá-la.

O mínimo de qualquer rolagem são 4 dados: um porque você é um runner fodão, um para tentar avaliar se você consegue ou não fazer o que quer, um para ver se a ação te lembra alguma coisa do passado, e um para ver se você faz isso rápido o suficiente para ganhar tempo em relação aos perseguidores. Além destes 4 dados, você ainda pode rolar mais um dado caso esteja usando seus poderes (e eles podem causar problemas), um caso exista a chance de machucar alguém, e mais um caso esteja com problemas de mobilidade. No máximo então você rolará 7 dados. Como você sempre rola um dado a mais, você descartará o menor deles e decidirá onde alocar os dados restantes na chamada Ficha de Risco (risk sheet) para ver como se saiu. Nessa ficha você encontrará os possíveis resultados para cada escolha possível.

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Note que como além do seu objetivo você é sempre obrigado a rolar um dado para os flashbacks e para a perseguição, a cada rolagem o jogo te coloca sempre um passo mais próximo do final da história, seja para o lado positivo respondendo suas indagações sobre seu passado ou seja para o lado terrível, onde vocês todos são capturados e provavelmente passarão o resto de suas vidas como experimentos em um laboratório.

Uma das coisas mais bacanas do jogo é o fato da história ser criada em grupo e não somente pelo Mestre, característica fundamental da maioria dos jogos indie. Neste jogo essa criação não é exatamente tão solta, o que é bem bom, pois quem vai decidir as resoluções e as respostas variam de acordo com o sucesso da rolagem. Na própria ficha está escrito quem narra dependendo do resultado. Você falhou? O Mestre diz acontece. Mas se colocou um 4 num flashback, então pelo menos os outros jogadores descrevem uma memória que você lembrou. Isso é interessante pois é possível que TODOS os jogadores sejam responsáveis por criar a resolução de cada rolagem, cada jogador responsável por uma parte.

E é legal mesmo?

O jogo é animal. Ele é simples, rápido, fácil de aprender, e é MUITO intenso. Ele tem esse clima de perseguição constante e a chance eterna de que qualquer coisa que você tente fazer sempre vai gerar mais e mais efeitos colaterais e manter a história caminhando a passos largos. Não tem como ficar enrolando nesse jogo, e ele coloca para frente não somente os jogadores como o Mestre também, que se adapta em relação ao status da perseguição.

Você que reclama que não consegue grupo, não consegue mestre, que não tem tempo para uma campanha longa… este jogo resolve vários dos seus problemas. E é um joguinho simples, baratinho, mas que entrega uma experiência incrível, então vale muito a pena.

Mas antes de você se preocupar em procurar a versão gringa, saiba que…

… será traduzido para português pela Secular Games!

Acho que este review ainda é um furo jornalístico, será? Sim, a Secular Games está traduzindo o jogo português! Você provavelmente conhece o trabalho dos caras se já jogou Violentina, Dungeon World ou Busca Final, e conhece a qualidade destes jogos. O livro receberá novas ilustrações (as da edição original são bem fraquinhas, mas cumprem o trabalho) e parece que vai ficar incrível, bem mais elaborado que a versão gringa. Mas por hora só nos resta esperar então, e aparentemente não demora!

Vocês podem acompanhar pelo site oficial da Secular: http://www.secular-games.com

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About author

Encho Chagas
Encho Chagas 8 posts

Game designer independente, fundador da Nação dos Jogos e criador do PULSE, campeão mundial do Game Chef 2013. Acredita que é possível mudar o mundo através dos jogos.

Review do editor

Apresentação
3.5/5
Conteúdo
4/5
Valor
5/5

4.17

Good
4.17

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3 Comments

  1. Apocalypse WEB
    abril 04, 21:10 Reply
    […] REVIEW FEITA POR: Encho Chagas POST ORIGINAL EM: RPG NOTICIAS […]
  2. Chrys
    janeiro 30, 20:42 Reply
    Alguém sabe explicar o significa os valores 1 a 6 na ficha de fugitivo? Pois em nenhum canto do livro explica a razão deste recurso que possuem além da frase este respectivo valor
    • Encho Chagas
      janeiro 31, 02:03 Reply
      Chrys, eu acho que você está em dúvida sobre o gabarito, certo? Mas por via das dúvidas explico os dois. O gabarito é o que tem os 6 dados desenhados com frases escritas. Toda vez que você for montar uma rolagem, você vai observando opção por opção para descobrir quantos dados vai rolar. É mais uma ajuda mesmo para o jogador. A outra lista, com os 6 campos em branco, é uma das coisas mais importantes do jogo: as perguntas que guiam a história do seu personagem, que ao serem completamente respondidas encerram o jogo imediatamente. O jogo tem um capítulo inteiro falando sobre isso, mas eu tô sem o livro em mãos para te informar qual página é.

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