Jogos Narrativos parte 2 – Como começar a jogar?

Nesta segunda parte da nossa série de vídeos sobre Jogos Narrativos, vamos falar sobre como comprar, o que comprar, e qual estilo de jogo vai ser mais adequado para a sua mesa de jogos!

Para ver a primeira parte, “Jogos Narrativos parte 1 – O que é RPG?”, basta clicar aqui!

A forma mais fácil de começar a se jogar, claro, é comprando um livro de RPG. Muito se diz sobre o quanto são caros os livros de RPG, mas isso não é verdade. O que acontece é que os mais populares são jogos com uma produção muito maior e quase todos importados, ou seja, é normal que quem acha caro na verdade não conhece muitos jogos. Confira o vídeo do Leandro Pugliesi sobre as várias lojas de RPG pelo Brasil clicando aqui.

O que realmente é mais caro são os dados de RPG. Isso acontece pois não fabricamos isso no Brasil, então todos são importados. Por essa razão quase todos os livros são comercializados sem eles, o que força o jogador iniciante a ter que fazer uma nova compra ainda antes de poder começar a jogar. Os jogadores de RPG veteranos já estão acostumados com isso e não costumam comprar mais dados a cada jogo adquirido, é uma compra que apenas precisará ser feita uma vez. Jogos de inserção de novos jogadores no hobby, como os kits introdutórios, normalmente já vêm com dados mas, novamente, são apenas os importados com produção maior e, consequentemente, mais caros.

Livros de RPG

A experiência de jogo

E o que existe dentro de um livro de RPG? Ele nada mais é que um manual de regras, explicando como os jogadores jogam, como o Narrador deve conduzir a história, como eles montarão seus personagens, e como devem proceder durante a partida frente a cada situação que por ventura possa acontecer. Livros diferentes vão apresentar recursos especiais para cada jogador no caso de jogos que possuem muitos suplementos.

Uma sugestão para sempre que você estiver conhecendo um novo jogo: procure a sessão do livro que indique o que como o Autor do jogo espera que você o jogue. As mecânicas dos jogos de RPG entre si normalmente não são muito diferentes, mas a forma como Mestre e jogadores devem se portar podem mudar completamente a experiência de jogo. Apenas pelas regras muitos jogos de mesa têm mais correlação com jogos de computador do que diferentes jogos narrativos têm entre si.

Sempre que alguém fala sobre RPG o que se espera é aquele jogo clássico, com um Mestre narrador contando uma história onde os personagens dos demais jogadores são os protagonistas. Isso não é sempre verdade, pois vários jogos alteram bastante essa dinâmica, gerando novos jogos e não somente diferentes sistemas de um mesmo jogo. A primeira edição de Dungeons & Dragons, por exemplo, sequer focava na criação de histórias, e sim na criação de narrativas muito simples. Os jogadores tinham personagens muito bem definidos (guerreiro, mago, etc) e o Mestre apenas criava mais monstros e desafios para que eles pudessem vencer e continuar explorando, sem muito contexto por trás disso. Essa dinâmica foi facilmente transportada pro videogame nos Roguelike games, que originaram uma enorme quantidade de estilos de jogos que, naturalmente, hoje levam o nome de RPG, mesmo não oferecendo o papel de Mestre ao jogador.

Rogue game

Os três tipos de jogos

Ainda assim muitos RPGs até hoje ainda focam na parte tática e no equilíbrio de poder entre os personagens, assim como fazem os RPGs digitais, o que chamamos de jogos gamistas. Nestes jogos a experiência de jogo é majoritariamente sobre combates, e os jogadores criam personagens capazes de vencer os desafios propostos pelo Mestre. Aqui a regra é mais importante do que a interpretação, e apenas o Narrador tem o papel de criar a história, muitas vezes até mesmo criando os próprios personagens jogadores. Muitas vezes até mesmo a descrição das ações dos jogadores é desnecessária.

Mas a partir do Advanced Dungeons & Dragons e uma série de jogos que vieram depois, uma nova corrente de jogadores surgiu. Os jogos narrativistas focam na interpretação dos personagens, no desenrolar de suas histórias e não muito nas regras. É normal ouvir a frase “a sessão foi tão boa que sequer rolamos dados!“. Os jogadores desse estilo de jogo costumam adquirir muitos cenários de RPG, oferecendo mundos diferentes e contextos pré-definidos para agilizar o trabalho do Mestre no planejamento de um novo jogo. Essa é uma das razões do porque os jogos narrativistas não focam necessariamente na construção de cenários, e sim na criação de histórias, interpretação de personagens e muita descrição dos elementos mecânicos do sistema. A tarefa de construção do mundo acaba minimizada nas mãos do Mestre ou até obsoleta caso de um cenário já pronto.

Nos anos 90, quando o RPG explodiu no Brasil, os jogos ficaram muito divididos entre estas duas correntes, de gamistas e narrativistas, muito por conta do sucesso de dois gigantes: o Dungeons & Dragons, e o Vampiro: A Máscara. Mas isso não significa que apenas existam estes dois estilos de jogos. Um dos maiores estilos e que também vem crescendo muito no Brasil nos últimos anos são os jogos de criação de mundos e histórias, os story games. Nestes todos os jogadores dividem o papel de Mestre, ativamente atuando o tempo todo na criação de novos personagens, lugares, cenas, etc. Em muitos deles os jogadores sequer possuem personagens, mas mesmo quando têm não importa quando eles morrem ou saem da história. O jogador continua jogando em um novo contexto ou simplesmente fazendo um novo.

tri-force

Encontrando o seu jogo

Todos os Jogos Narrativos vão variar sua experiência entre estes três pontos principais. Se você gosta das regras, da criação de combos de habilidades e do equilíbrio de força entre os personagens, talvez você prefira um jogo mais gamista. Se você gosta de interpretar personagens, descrever cada uma de suas ações de forma significativa para o jogo, provavelmente deveria estar jogando um RPG narrativista. Mas se sua onda é criar mundos e personagens, sem muito apego a cada um deles já que o mais importante é a história criada coletivamente, então deve procurar um story game.

Note que todos os Jogos Narrativos vão possuir um pouco mais ou menos de cada uma das três áreas, mas o que importa é a experiência de jogo que o seu grupo de amigos procura. Sistemas diferentes de RPG na verdade podem oferecer contextos diferentes mas num geral a experiência de jogo pode permanecer a mesma. Ou seja, você não precisa substituir a sua campanha de anos de D&D ao conhecer um jogo novo. Uma nova experiência casual pode agregar algo diferente ao seu grupo, ou criar um passa-tempo em um dia que por algum motivo vocês precisariam adiar a próxima sessão.

E é por isso que precisamos discutir se o termo RPG ainda serve pra gente, já que é um termo com uma imagem já muito engessada. Como poderíamos utilizar esse termo para jogos que não apresentam os mesmos conceitos clássicos?

 


 

Na próxima parte desta série vamos falar sobre como encontrar jogadores para seu grupo e apresentar a incrível comunidade de jogadores nacional.

E já que você está por aqui, por quê não conferir alguns jogos independentes criados colaborativamente na cena de desenvolvimento nacional? O Encho Indie Studio produz uma pancada de jogos que oferecem novas experiências de RolePlaying, e a melhor parte: muito baratinho e às vezes até de graça!

É só conferir no link abaixo:

sm_logo

http://enchochagas.lojaintegrada.com.br

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Encho Chagas
Encho Chagas 8 posts

Game designer independente, fundador da Nação dos Jogos e criador do PULSE, campeão mundial do Game Chef 2013. Acredita que é possível mudar o mundo através dos jogos.

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