3 ideias de como começar uma aventura de RPG

3 ideias de como começar uma aventura de RPG

De longe a pergunta campeã do pessoal que quer começar a narrar é:

– Como faço para juntar o grupo e começar o jogo?

Fato é que existem inúmeras maneiras e duvido que exista UMA que seja correta. Com o tempo você acaba percebendo que cada grupo tem um jeito que prefere ou que cada aventura pede um inicio especifico. Mesmo assim acabei pensando em algumas dicas e exemplos que acumulei pelo tempo e espaço e ver se ajudam vocês a se inspirarem.

Uma das melhores coisas para os jogadores é sentir que seus personagens são importantes para a estória desde o começo.  Pois bem, porque não usar eles mesmos para bolar o inicio de suas aventuras?

O foco aqui é usar os personagens (seja a ficha ou seus históricos) para entrelaçar os jogadores antes mesmo de começar o jogo.

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Usando Históricos

Uma ótima maneira é usar o conceito de Dungeon World (que alias eu recomendo apenas pela leitura que já vai te encher de ideias para aventuras) e fazer os jogadores criarem vínculos entre seus personagens. Sugira (sempre sugira nunca obrigue, afinal os personagens são deles) que cada um tenha um vinculo em especial com cada personagem. O guerreiro já foi guarda costas do mago, O Tremere já ajudou o Toreador em uma obra de arte ou o Samurai Urbano já teve a conta hackeada pelo Decker.

Eu acho uma ótima maneira, pois faz os jogadores já começarem a jogar antes mesmo de começar a aventura em si e ainda por cima começam com “estórias” para contar. Esse modelo funciona muito bem se você usar o conceito de Históricos que falo no post Como usar ideias de Dungeon World em seus jogos de RPG, basta eles focarem nos vínculos ANTES de pensarem nos históricos, além de achar uma maneira de iniciar uma aventura você terá a historia dos personagens surgindo na mesma hora sem enrolação.

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Usando NPC

Outra maneira muito eficaz é unir todos os personagens através de um NPC. Seja ele um mentor de cada um, o vilão da primeira aventura ou mesmo alguém que devem procurar, cada um por um motivo. Logo cada personagem irá acabar se encontrando no meio da aventura e com finalidade de trabalharem em equipe. Nessa opção pode ser necessário avisar os jogadores que tem um dado NPC em comum e pedir para saber o que cada um tem a ver com ele e por que. Pessoalmente é uma das maneiras aonde meus jogadores mais se divertiram, afinal apenas para reuni-los já da uma aventura.

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Usando a aventura

Oras se é para começar a aventura, que o encontro deles seja parte da mesma. Avise que todos se encontram aprisionados. Ou então que todos tiveram que participar de uma caravana que pretende cruzar o deserto ou mesmo coloque todos cercando um NPC que capturaram e que pretendem interrogar. Uma coisa que acho interessante nesse modelo é perguntar para os personagens o porquê eles estão em tal situação. Deixe que eles perguntem coisas, para assim você dizer algumas verdades da aventura que planejou.

Bem, em todos os estilos que listei ficou claro que eu sempre tento colocar os jogadores para participarem desse começo e sem dúvida essa é a maior dica que posso dar. Nada é mais gratificante, seja você narrador ou jogador, de realmente participar da historia do jogo de modo direto e fazer com que a historia dos personagens faça parte de sua aventura de verdade. ( traumas de varias historias de personagens que ficaram esquecidas, snif 🙁 )

E não pense que esqueci da clássica taverna! Todas as sugestões funcionam em uma taverna, mas nem precisa pensar muito, afinal taverna é clichê e é clichê porque funciona. Na dúvida coloque todos bebendo (seja cerveja ou sangue de inocentes) que logo logo a aventura começa 😉

Abraços e muito XP a todos.

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Leandro Pugliesi
Leandro Pugliesi 229 posts

Mestre desde 1992, já narrou quase todo sistema possível, mas atualmente tem um carinho especial por Pathfinder. Sua tara é narrar campanhas épicas e testar sistemas novos

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7 Comments

  1. Arcane
    junho 26, 08:52 Reply
    Com alguma frequência eu uso a terceira opção. A aventura geralmente já começa com os personagens sendo obrigados a se conhecer porque estão em alguma situação incomum logo na primeira cena, e depois eles vão construindo a relação aos poucos. Lembro da primeira aventura que eu narrei assim... - "Vocês estão cercados por oito zumbis em uma área aberta perto de uma fonte de pedra no centro de um pequeno vilarejo. Dois de vocês possuem apenas uma adaga e o outro uma armadura de couro e um porrete." - [off jogador] Porra mestre, onde estão os equipamentos da minha ficha? - [off eu] Bem, isso é você quem vai me dizer. Só sei que não está com você e nem a vista. Também quero [falando a todos] que vocês me digam porque se encontram nessa situação. Isso foi em 2003 não sei se as falas foram exatamente assim, mas é como eu me recordo... e hoje o pessoal ainda se lembra dessa sessão. E assim passei a iniciar meus jogos usando a própria aventura sempre que possível.
    • Leandro Pugliesi
      junho 26, 09:28 Reply
      Exatamente esse é o espirito. E você definiu bem, até hoje os jogadores lembram dessa campanha! Nada melhor que aquela aventura que deixa marcas. Alias, adorei essa introdução, ainda irei roubar ela!
  2. André Higuti
    junho 17, 17:10 Reply
    Recentemente em minha campanha de D&D voltado a tramas politicas e intrigas sociais eu pedir para os jogadores criarem um vinculo entre os 4 personagens iniciais, em torno de um NPC importante politicamente, ele é um tipico 'benfeitor', busca financiar campanhas atrás de itens de valor e etc. Os personagens resolveram, por si só, montar um grupo que é financiado pelo NPC da qual ele financiou uma busca pessoal do Paladino por um item perdido de sua deusa. Sem duvidas foi o melhor inicio de campanha que já fiz!
  3. Matheus Amilton
    março 22, 12:33 Reply
    Sexta passada comecei uma campanha de DW usando a ideia do começo do Pillars of Eternity, onde os jogadores foram prometidos terras para se estabelecerem por um duque que eles nunca sequer viram pessoalmente, mas cada um com seu motivo aceitou essa proposta. Com a exceção do Bárbaro que ja conhecia o Anão(clérigo) muito antes dos acontecimentos que narrei (inclusive ele vive na mochila do bárbaro), todos os vínculos foram relacionados ao tempo que eles vinham viajando. Então obviamente em um dia de tempestade eles se separaram do comboio e se alojaram em uma caverna que no meio da noite teve a saída fechada por um deslizamento ai usei o iniciador de masmorra "A toca do Goblin" pela recomendação do blog. Usei um NPC para guiar eles assim fazendo eles focarem no objetivo geral que é sair, achar o duque e ganhar as suas terras. No fim usei tudo. Foi foda, rolou desde escolhas morais pesadas a hordas de 10+ goblins, sem falar de arremesso de anão.
  4. Junika
    abril 14, 16:07 Reply
    Decidi por iniciar o jogo em separado em sessões solo com cada jogador. Mas no fim cada história ficou tão aprofundada, e os personagens se desenvolveram tanto no individual, que quando os personagens se uniram houve uma certa quebra na narrativa (até por divisão do tempo de jogo e tals) e com jogadores preferindo se manter no individual. Mesmo o NPC "Nick Fury" não ajudou muito. Talvez eu tenha demorado demais para passar do individual ao jogo em grupo. Enfim, estou tentando "consertar" isso ahaha. Obrigado pelas dicas, foram muito boas
  5. Tiazeg
    junho 17, 09:35 Reply
    Eu também sempre gostei de usar o histórico dos personagens. Os jogadores gostam e incentiva a mesa a criar passados interessantes e bem pensados para seus personagens.
  6. claudia salasario
    julho 18, 15:54 Reply
    Estou narrando uma campanha em que os jogadores escolheram lugares longes de começarem (cenário do WoW). Narrei primeiro a cena da personagem (este de tendencia maligna)que estava no presente, encontrando um desconhecido que caira inconsciente após sofrer um ataque, e que se viu obrigada a ajudar o dragao que o trouxe. Depois comecei a narrativa do personagem que foi trazido de outra dimensão temporal, mas perdeu a consciência, não disse para eles que eram eles, contei apenas as circunstancias que o personagem saberia. A reação deles foi impagável. Estou para fazer o mesmo para juntar os outros jogadores... pensei em fazer um deles ser sequestrado para que os outros o salvem, para criar vinculos

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